Carta n.º 51
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Hoje, dia 1 de Dezembro, é feriado nacional. Comemoram-se 369 anos de Restauração da Independência de Portugal.
Como é sabido, mas nunca é demais recordar, em consequência do desastre de Alcácer-Quibir, ocorrido em 1578, o nosso país a partir de 1580 ficou unido ao Reino de Espanha sob a coroa dos Filipes.
Perante tão infaustos acontecimentos, muitos portugueses coevos desanimaram julgando ter assistido ao fim definitivo de Portugal como nação independente. O próprio Luís de Camões, autor da admirável obra poética dos Lusíadas e desde então considerado como um dos mais importantes símbolos da identidade portuguesa, triste e amargurado com o desgraçado rumo histórico do país, teria declarado no último instante de vida ocorrido cerca de dois meses antes da perda de independência nacional: “Ao menos morro com a Pátria!”
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Data gravada na base do Padrão da Restauração - Viseu
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Todavia, apesar do vendaval de infelicidade e desânimo que então assolou Portugal, o povo jamais aceitou a capitulação política face à poderosa Espanha como um caso encerrado. No mais recôndito da sua alma acalentou durante seis décadas o fogo da esperança de uma pátria renascida. E a sua esperança, qual sonho imorredoiro e inabalável, acabou por se transformar em realidade. Com a ajuda decisiva do Brasil e do restante espaço então português pelo mundo repartido.
No 1.º de Dezembro de 1640, Portugal, país pluricontinental e multicultural em resultado dos esforçados e empolgantes descobrimentos marítimos, voltava a ser um país independente e retomava com redobrado vigor a sua missão histórica na Europa e no Mundo.
Desde aquela auspiciosa data muitos trabalhos e dificuldades foi preciso colectivamente enfrentar. Mas tudo conseguimos vencer, conseguindo frequentemente com vontade, sabedoria e conhecimento transformar as situações adversas e aparentemente invencíveis em oportunidades únicas de sucesso.
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Pormenor do Padrão da Restauração - Viseu
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Hoje, ao mesmo tempo que comemoramos a Restauração da Independência, termina a XIX Cimeira Ibero-Americana, que, agrupando 22 países ibero-americanos, este ano se realizou no nosso país sob o tema da inovação e do conhecimento. E tem lugar na Torre de Belém a cerimónia a assinalar a entrada em vigor do tratado reformador da União Europeia.
Uma das conclusões a retirar de tanta azáfama política, é que hoje o nosso país está consciente de que a defesa da independência assenta em novos conceitos. Muito diferentes dos do passado. Apontando para um conjunto de objectivos em que podemos destacar a escrupulosa garantia dos direitos humanos. E de um espaço europeu de valores, liberdade, solidariedade e desenvolvimento. Actualmente agrupando 27 países. Tudo isto sem prejuízo dos nossos anseios e desígnios nacionais mais intrínsecos e inalienáveis. Um dos quais tem a ver com a nossa missão histórica específica, neste momento partilhada com os oito países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). De que fazemos parte e em que todos somos solidária e empenhadamente agentes e beneficiários.
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Padrão da Restauração na Praça Tenente Miguel Ponces - Viseu
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Voltando ao acontecimento nacional que hoje comemoramos, a Restauração da Independência de Portugal em 1640 proporciona-nos ainda o seguinte ensinamento histórico: as nações podem morrer, mas também são dotadas de perenidade se os seus cidadãos assim o quiserem. Basta que jamais deixem de sonhar. E persistentemente se esforcem denodadamente por transformar o sonho em realidade. Este princípio, que foi válido há 369 anos, continua a ser válido hoje. Só é preciso que colectivamente o queiramos. O nosso país (e tudo o que representa) precisa de nós. O que é que cada um de nós pode fazer por ele – o nosso amado Portugal?